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O caminho dos votos

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Não há como se evitar o horário político. Ainda que tentemos ignorá-lo, volta e meia damos de cara com pelo menos uma parte da programação dos partidos. É assim que somos contatados pelos candidatos e tomamos ciência da existência deles.

A pergunta que se faz é a seguinte: são os candidatos a cargos eletivos retrato da atual classe política do país?

Descontadas algumas presenças importantes, o horário político é um festival de horrores, mormente na parte em que se apresentam os candidatos a cargos eletivos estaduais. Pessoas que adquiriram popularidade em suas atividades fazem uso de seu destaque para arrebanhar eleitores. Jogadores de futebol, boxers, palhaços e até a Mulher Pera apresentam-se com mensagens que, no fundo, não passam de descaso à importância do cargo que assumiriam caso eleitos. O interessante é que o modo, digamos exótico, de algumas apresentações acaba caindo no gosto popular daí candidatos que em nenhum momento parecem levar suas candidaturas a sério correrem o risco de vir a ser eleitos.

Não sei como as coisas se passam em outros países, quem sabe de modo semelhante ao que entre nós acontece. É bom lembrar que em eleições anteriores os brasileiros tiveram oportunidade de manifestar, através do voto, a sua insatisfação com a classe política. As expressivas votações consagradas ao rinoceronte Cacareco e ao macaco Tião são muito ilustrativas nesse sentido.

Se prevalecer a forma de protesto que se mostrou tão eficiente no passado poderemos assistir, no pleito de outubro, à vitória de candidatos que parecem nada ter a ver com os interesses políticos do país.

Mas, que não se enganem os analistas: Mulher Pera, Tiririca, Agenor Bisteca e alguns outros são, sim, candidatos fortes e a eleição deles não será, de modo algum, surpreendente.

Escrito por Ayrton Marcondes

1 setembro, 2010 às 5:49 pm

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Os dinheiros para a Copa-14

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Não é verdade que o povo brasileiro seja desligado, ou no mínimo desatento, como se proclama por aí. Prova-o a pesquisa do Datafolha segundo a qual 57% da população desaprovam o uso de dinheiro público para a reforma de estádios para a Copa de 2014.

A notícia chega em boa hora e confronta-se com certo ufanismo tresloucado que corre solto nos meios oficiais e não oficiais. De repente o Brasil está crescendo, deixando sua condição terceiro-mundista fato que gera sentimento de que aqui tudo se consegue, versão nova da famosa “terra em que tudo dá”.

A verdade é que a poderosa FIFA encosta o país na parede e está a exigir muito mais do que, por exemplo, cobrou da África do Sul. Nada serve, o país não está se preparando segundo os combinados, o atraso nos preparativos é grande, a ladainha é longa. Embora haja muito de verdade em tudo isso, o fato é que não escapa aos brasileiros a noção exata das urgências que temos, das prioridades para emprego do dinheiro público. Estão aí os problemas de segurança, do saneamento, da saúde, da educação e, embora sempre empurrada para debaixo do tapete e maquiada por estatísticas nem sempre confiáveis, a pobreza é uma realidade.

Isso não quer dizer que não devemos realizar a Copa do Mundo ou que os brasileiros não a mereçam. O que incomoda é o artificialismo, o ufanismo de autoridades pulando e chorando de alegria com a escolha do Brasil para sediar a Copa, atitudes essas que, pelo visto, foram embaladas mais pelo entusiasmo que por dados concretos. Veja-se nesse sentido o caso de São Paulo, estado mais rico da federação que corre o risco de não ter jogos da Copa porque não possui estádios que respondam às exigências da FIFA.

Todo mundo sabe que Copa do Mundo é um grande negócio, que leva e traz muito dinheiro. Há que se considerarem os possíveis lucros, a projeção do país pela realização do grande evento e outros fatores. Entretanto, ao se propor a candidatura do país, o mínimo que se esperava era a responsabilidade diante de realização de tal magnitude. Afinal, não se tem por aqui a infra-estrura necessária, a começar por aeroportos que deem conta do movimento que há de vir.

No fim, espera-se por algum milagre e atitudes de consenso. O que não dá é para mais uma vez apelar-se para o tal “jeitinho brasileiro” o qual certamente será acompanhado de prejuízos palpáveis.

A boa notícia é que, desta vez, a população está atenta.

Escrito por Ayrton Marcondes

16 agosto, 2010 às 1:48 pm

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Afinal, para que servem as estatísticas?

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No Brasil que voltou atrás e assinou em favor das sanções ao Irã corre solta uma grande manobra de números. Confesso que sempre tive algum receio de números dado que os especialistas mais hábeis muitas vezes são dados a mágicas numéricas que redundam em soluções muito a gosto dos interesses dos envolvidos. Uma das coisas que mais ouvi na minha vida foi que os números não mentem, no final as coisas se mostram em acordo com os cálculos, a matemática conduz à verdade e por aí afora.

Apesar de meus parcos conhecimentos matemáticos, em varias ocasiões fiz uso da estatística em situações que requeriam estudo mais aprofundado de casos. Assim, não me são de todo estranhos o cálculo de probabilidades, o desvio padrão e coeficientes utilizados em estatística. Daí que muito me incomoda a dança de números que, segundo se noticia, visa a apresentação de dados maquiados com fins eleitoreiros. Esse assunto tem chamado a atenção do público ultimamente, daí ser impossível ignorá-lo.  A toda hora fala-se sobre índices de superávit e PIB per capita acima dos valores reais e até de omissão de dados negativos – tudo isso pode ser lido nos jornais de hoje, por exemplo.

Pois tudo isso é muito irritante já que dos cidadãos se exige muita correção. Um errinho no imposto de renda é lá vem a glosa ou multa, atraso em pagamentos de contas e os juros doem no bolso, isso sem falar no sufoco de impostos cobrados às empresas e aos cidadãos.  Não se pode mentir sob o peso de ser taxado ou punido. Mas, estatísticas enganosas podem ser usadas publicamente.

O bom do Brasil é que ele é grande, forte e aguenta tudo. O mesmo não se pode dizer da democracia. Ela é uma dama muito sensível, veste-se de branco e não se adapta e nenhum tipo de sujeira. Assim, aos mais velhos que já assistiram a filmes como o que agora está sendo exibido no país, aos que viveram sob regimes de exceção, a essas pessoas tudo isso inquieta e muito.

O que se espera é que as autoridades reflitam muito e tenham a credibilidade como ponto de honra. No mais, os cidadãos aguardam desmentidos oficiais e convincentes em relação às notícias que circulam sobre números alterados e estatísticas falsas. Isso é o mínimo que se pode esperar.

Escrito por Ayrton Marcondes

13 agosto, 2010 às 12:35 pm

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As regras do jogo

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Em O Futuro da Democracia* Norberto Bobbio ensina que o que distingue um sistema democrático de sistemas não democráticos é um conjunto de regras do jogo. Vele a pena ouvi-lo:

- Mais precisamente, o que distingue um sistema democrático não é apenas o fato de possuir as suas regras do jogo (todos os sistemas as têm, mais ou menos claras, mais ou menos complexas), mas, sobretudo, o fato de que essas regras, amadurecidas ao longo de séculos de provas e contraprovas, são muito mais elaboradas que as regras de outros sistemas e encontram-se hoje, quase por toda parte, constitucionalizadas.

Mais à frente diz Bobbio:

- Quero apenas dizer que num determinado contexto histórico, no qual a luta política é conduzida segundo certas regras e o respeito a essas regras constitui o fundamento da legitimidade de todo o sistema, quem se põe o problema do novo modo de fazer política não pode deixar de exprimir a própria opinião sobre estas regras, dizer se as aceita ou não as aceita, como pretende substituí-las se não as aceita, etc.

As duas citações anteriores pertencem a um ensaio dirigido à questão dos novos modos de fazer política. As colocações de Bobbio mostram-se extremamente pertinentes no momento em que se abrem as campanhas eleitorais dos candidatos à presidência da República. É do conhecimento geral que as campanhas já em andamento não têm se pautado pela obediência às regras do jogo, fato que tem determinado multas pelo descumprimento da lei eleitoral. Tais multas, aplicadas pelo Tribunal Regional Eleitoral, atingiram inclusive o presidente da República a quem cabe, em primeiro lugar, zelar pelas chamadas “regras do jogo”. Com afirma Bobbio, as regras constituem-se no fundamento da legitimidade do sistema do que se conclui que do respeito a elas depende a estabilidade democrática.

Nunca é demais lembrar que sistemas democráticos que se têm por permanentes podem ser desestabilizados. A própria história do país é permeada por longos períodos de exceção nos quais as liberdades individuais, de imprensa e outras foram duramente afetadas. Ter como certo que a democracia é suficientemente forte para resistir a toda sorte de abalos pode ser perigoso. Também o é apoiar-se no discurso corrente de que no país já não se encontra ambiente para outro tipo de sistema de governo que não a democracia.

É por ter assistido aos embates do passado e convivido com as exceções que muitos brasileiros se sentem, muito justamente, temerosos diante de atitudes arrogantes que podem colocar em risco liberdades duramente conquistadas.

*  Norberto Bobbio. O Futuro da Democracia, Uma Defesa das Regras do Jogo. Ed. Paz e Terra, 1986

Escrito por Ayrton Marcondes

18 julho, 2010 às 11:46 pm

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O peso da convicção

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Os regimes autoritários sugerem inúmeras interrogações. Afinal, durante a vigência deles estabelecem-se regras de exceção às quais são submetidas populações inteiras. Existem, sim, dissidências que não raramente apelam para a violência como forma de reação ao poder estabelecido. Os vários movimentos terroristas em geral nascem da revolta contra um Estado estabelecido, mas nem sempre de Direito.

O assunto é pertinente. Em várias partes do mundo vigoram governos autoritários que, através do uso da força, abafam resistências incômodas. Por uso da força entenda-se a repressão em todos os graus, em geral pautada pelo assassinato puro e simples daqueles que divergem dos governos.

Os exemplos são muitos e, para ficar apenas na vizinhança, aí estão os regimes ditatoriais latino-americanos de triste memória. Ontem mesmo um canal de televisão exibia a entrevista de uma dissidente argentina que afirmava não saber explicar como sobreviveu numa época em que seus companheiros eram anestesiados e jogados de aviões nas águas do Rio da Prata.

Uma das questões mais intrigantes sobre os regimes ditatoriais diz respeito ao modo como um pequeno grupo de pessoas que chega ao poder impõe a sua vontade, apoiando-se em escalões inferiores que obedecem, às vezes cegamente, as suas ordens.  É verdade que em meio a tais escalões existem pessoas que encontram nos regimes de exceção oportunidade para o exercício da própria bestialidade: trata-se de torturadores cujo perfil parece ser talhado para períodos em que a democracia não passa de utopia e anseio reprimido da população. Mas, e os que não torturam? Como se dá a adesão aos regimes de força que imperam em várias partes do mundo ao custo de martírio de seres humanos?

Certamente existem várias respostas. Recentemente ouvi algumas durante entrevista de um dissidente iraniano, radicado em Londres, que faz uso de todos os meios a ele disponíveis para combater o governo de Abadinejad. Segundo o dissidente o governo iraniano não se sustenta por convicção, mas pelo dinheiro: os vários escalões do governo e seus subalternos pertencem a uma estrutura no qual a adesão à ideologia na verdade não importa, valem os salários e benefícios. Outra razão seria a de que os meios de protesto da oposição iraniana (internet etc.) estão sob o controle do governo.

As ditaduras latino-americanas impressionavam pelo poder de repressão e manutenção da ordem imposta pela força. No caso do Brasil foi de fato marcante o modo como os movimentos terroristas não prosperaram dada a eficiência com que foram combatidos. A questão do longo domínio ditatorial certamente terá várias explicações, entre as quais se sobressaem as características do momento histórico em que ocorreu. Se as forças que apoiaram os governos de então o fizeram mais por convicções ideológicas que outros aspectos talvez seja difícil avaliar. Entretanto, impressionava-nos o zelo com que mesmo funcionários e militares dos escalões mais baixos executavam as determinações superiores. Acreditavam no regime ou eram apenas beneficiários?

Escrito por Ayrton Marcondes

21 junho, 2010 às 12:25 pm

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Vida de eleitor

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debateLavagem de roupa suja é uma das atividades mais marcantes do atual Congresso Nacional. A convite ou sob a ação de Comissões Parlamentares de Inquérito pessoas comparecem ao Congresso para depoimentos tantas vezes terríveis para a classe política do país e adjacências.

O interessante é que as sessões assim realizadas têm caráter verdadeiramente orgástico: a temperatura das discussões entre os parlamentares se eleva, ânimos se exaltam, graves acusações e ameaças são trocadas. O resultado? Em geral nada porque das discussões passa-se à fase de apurações e o processo é lento dadas as características do sistema judiciário do país. A meio caminho explode outra grande falcatrua que afasta do primeiro plano a anterior e tudo fica como dantes, no quartel de Abrantes. É quando presenciamos a participação na vida pública de pessoas sob as quais pesam graves acusações que, com o tempo, são mais ou menos ignoradas e olvidadas. Vai daí que continuam livrinhas por aí, às vezes sendo lembradas ou indicadas para cargos de alta relevância.

É assim que os brasileiros aprendem a rir do Brasil, coisa que parece fazer parte do espírito da nacionalidade.  De escândalo em escândalo vai-se vivendo até que ocorram novas eleições e, teoricamente, os brasileiros tenham oportunidade de punir pelo voto aqueles que maltratam a República. Teoricamente porque a manipulação de grande parte do eleitorado é efetiva, os dinheiros públicos são investidos em campanhas de candidatos escolhidos e o voto de cabresto continua a ser uma aviltante realidade no país.

No meio disso tudo fica o eleitor consciente à espera de programas dos candidatos e discussões de alto nível que o ajudem a optar pelo que for melhor para o país. Ao invés disso, o que recebe são notícias sobre corrupção, dossiês, inverdades de lado a lado e muita conversa mole jamais relacionada com os interesses maiores da população.

Não é simples a vida de eleitor no Brasil, exceto quando o voto é trocado por algum benefício.

O Rambo norte-americano

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Gary Faulkner, 51 anos, é na vida real o Rambo norte-americano. Ele foi detido no Paquistão portando uma espada, uma pistola e óculos de visão noturna. Sua intenção era caçar sozinho Osama Bin Laden. A detenção de Faulkner aconteceu numa floresta próxima à fronteira do Paquistão com a província afegã do Nuristão. É o que se lê no noticiário.

A suposição de que Bin Laden viva na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão levou o Rambo norte-americano a agir na região. É de se imaginar se sua missão não está ligada àquele coronel dos filmes, o amigo do Rambo a quem treinou. É o coronel que sempre adverte aos cinéfilos sobre o potencial de Rambo, ex-soldado capaz de sobreviver em condições inumanas e destruir exércitos inteiros.

Infelizmente a foto de Gary Faulkner, publicada nos jornais, não sugere que ele tenha as aptidões do Rambo do cinema. É um sujeito de cabelos longos e barba grisalha, com óculos de aro fino que dá a ele jeito de intelectual ou sonhador. Não se vê o aspecto físico, mas Faulkner não parece ser do tipo musculoso, apto a aventurar-se numa floresta sozinho, ainda mais à caça de Bin Laden.

Seria muito interessante se Faulkner capturasse Bin Laden: um só homem teria sucesso onde estrategistas e militares americanos falharam redondamente. Mais que isso, a prisão de Bin Laden por Faulkner serviria para dar credibilidade aos filmes de ação cujas cenas se mostram cada vez mais inverossímeis.

Estamos no século XXI, é preciso acreditar em algo e talvez uma missão bem sucedida do Rambo real viesse a contribuir muito para isso.

Escrito por Ayrton Marcondes

17 junho, 2010 às 11:14 am

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Pobre Zimbábue

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zimbabueNo que o Brasil faz 2X0 contra o Zimbábue os meninos da escola explodem de alegria. Não importa que seja jogo treino e o adversário o nunca temível Zimbábue. O que vale é bola na rede e o grito profundo: Goooool… Brasillllll!

Ao lado do campo Dunga, com cara de gente sadia, bate palmas e sorri um de seus escassos sorrisos. O locutor da TV desmancha-se, afinal é a seleção.

Ninguém olha para as arquibancadas onde estão os naturais de Zimbábue, país governado pelo ditador Robert Mugabe. A vida por lá não é fácil: campeia a pobreza demonstrada por todos os indicadores econômicos.

Não se nega que a presença da seleção brasileira sirva para trazer alegria ao sofrido povo do Zimabábue. Mas, que me perdoem os torcedores brasileiros, vou torcer para que o Zimabábue esboce pelo menos uma reação no segundo tempo, proporcionando alegria ainda maior à sua torcida.

Isso pode ser chamado de falsa solidariedade com a África ou, se quiserem, sentimento de culpa pela pobreza dos outros. Mas, não importa: o que vale é ver a turma de Zimbábue feliz, ainda que só por um instante.

Escrito por Ayrton Marcondes

2 junho, 2010 às 11:40 am

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Variantes de campanha eleitoral

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Recebi, por email, o link de vídeos com os pronunciamentos de José Serra e Dilma Roussef ao empresariado, em São Paulo. Gentileza da amiga Guta, filha de enormes amigos, que terminou o email ponderando a quem assistisse aos vídeos que julgasse quem poderia vir a ser melhor presidente da República.

Vá lá que não se possa ter definição do perfil do melhor candidato apenas por um pronunciamento: há que se levar em conta fatores como temática, ocasião etc. De modo que deixo de lado minha a opinião e recomendo aos interessados acesso ao link que me foi gentilmente enviado:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/ele-e-candidato-ela-e-candidata

Mas a campanha prossegue. Dilma abriga-se sob o manto de Lula e faz promessas em sintonia com o governo. Serra parece ter-se assustado com o empate em intenções de voto recentemente divulgado pelo Datafolha e tem partido para o ataque. Os jornais de hoje chamam a atenção para uma declaração mais bombástica do candidato tucano. Segundo ele afirmou a Bolívia é cúmplice de traficantes.

A intenção de Serra ao dizer coisa assim é justamente criticar o governo Lula e o modo de estabelecimento de parcerias do Brasil com países da América Latina. Por outro lado, a declaração gerou protestos de autoridades bolivianas: o embaixador da Bolívia no Brasil exigiu que Serra apresentasse provas.

Como se diz por aí, o circo está em plena função. Nós, eleitores, conhecemos bem esse caminho, sabemos que a temperatura vai esquentar. De minha parte só sinto que a campanha eleitoral ocorra justamente no ano das eleições presidenciais. Nesse sentido me pergunto a quem melhor servirá uma possível vitória do Brasil. A primeira impressão é que seja um prato quente para o governo e sua candidata. Entretanto, vale lembrar que estamos falando sobre política, território onde tudo pode acontecer.

A ver quem vai faturar com a vitória ou a derrota do Brasil na Copa do Mundo.

Escrito por Ayrton Marcondes

27 maio, 2010 às 12:57 pm

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A negativa da ministra-chefe

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O depoimento da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff como testemunha no processo movido pelo Ministério Público contra 39 réus no caso do mensalão constitui-se numa peça e tanto pela natureza do seu conteúdo.

A ministra-chefe negou a existência do esquema do mensalão, dizendo ser impossível que partidos políticos exigissem “vantagem financeira”; afirmou que ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu (PT-SP) é um “injustiçado”; negou conhecer o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, tido como o “operador” do esquema do mensalão; elogiou deputado Paulo Rocha (PT-PA), que renunciou ao mandato para se livrar de condenação na época do escândalo do mensalão; e defendeu o ex-deputado Professor Luisinho (PT-SP), que não se reelegeu depois da denúncia do mensalão. São informações publicadas pela imprensa.

E agora? O que nos resta para pensar? Senhora ministra-chefe, a senhora que é pré-candidata à presidência da República, considere, por favor, a situação em que ficamos todos nós, os eleitores que votarão em 2010. Afinal, em quem devemos acreditar? No depoimento que a senhora fez sobre o mensalão aí Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória da presidência da República, em Brasília? Ou em tudo o que aconteceu naquele terrível espaço de tempo durante o qual a República teve aberto o seu ventre para a exposição de acusações terríveis que tanto nos chocaram?

Eis aí uma situação que se enquadra à perfeição dentro de um sistema binário do tipo aconteceu/não aconteceu, verdade/mentira etc. Num sistema desse tipo está-se no território que os matemáticos chamam de eventos mutuamente exclusivos, nos quais a ocorrência de um significa a não ocorrência do outro. Enfim: se existiu ou não o mensalão, e ponto final.

Dirão que não é tão simples, o evento em questão é muito complexo, etc. Mas numa coisa devemos insistir: detalhes à parte, nós precisamos saber se afinal houve ou não o mensalão porque o que está em jogo é a confiança que temos nas instituições, nos políticos, nos candidatos que se apresentarão às próximas eleições e, por que não, na imprensa.

O povo brasileiro é calmo e ordeiro, gosta de festa, adora foguetório e quase sempre esquece muito depressa tudo o que acontece, especialmente aquilo que o incomoda. Mas a história do mensalão, essa aí ainda não foi possível esquecer. Afinal, a imensa massa de brasileiros que trabalha e paga taxas muito altas de impostos foi, durante um bom tempo, bombardeada, dia e noite, por um noticiário que incriminava muita gente, envolvendo grandes somas de dinheiro público. Na época houve até gente que, para se livrar de perder o mandato, renunciou e saiu pela porta dos fundos do Congresso, esperando que a fraca memória popular os esquecesse até que pudessem voltar aos seus postos.

Então era tudo mentira? Fomos enganados por alguma campanha maléfica engendrada pela mídia? Ou a própria mídia foi enganada por gente muito esperta e usada para espalhar mentiras que abalaram o país?

Senhora ministra-chefe, eu jamais escreveria isso se o assunto não me incomodasse tanto. Entretanto, como tantas outras pessoas, eu me vejo entre duas versões irreconciliáveis sobre um mesmo fato. Espero, sinceramente, que esse assunto venha a ser esclarecido antes das eleições do ano que vem para que eu possa votar com muita consciência.

Sabe, é um voto só, um votinho. Mas é o meu.