2019 maio at Blog Ayrton Marcondes

Arquivo para maio, 2019

Compostagem humana

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A tradição nos leva a cuidar de nossos mortos. O ato de enterrar pessoas é tão antigo quanto o ser humano. Morria-se mais em casa no passado. Velava-se o corpo na sala da casa onde os próximos se despediam do falecido. Ainda é assim em muitos lugares. Os novos tempos levaram os cadáveres para velórios externos. Há velórios em hospitais, funerárias e cemitérios. Corpos podem ser sepultados ou cremados. Houve tempo em que a cremação era proibida pela Igreja. Ouvi de fiéis que no juízo final, momento da ressurreição dos corpos, os cremados não teriam como ressuscitar. Hoje a Igreja não proíbe a cremação. Católicos podem ser cremados.

Compostagem humana é a utilização de restos humanos para adubar o solo. Empresas de compostagem afirmam que sepultamento e cremação não são atitudes ecológicas por envolverem energia, produção de gás estufa e uso do solo.

Leio que a empresa norte-americana Recompose desenvolveu um método no qual o corpo é colocado dentro de um contêiner, junto com palha e lascas de madeira. Nesse ambiente as bactérias têm condições ideias para realizar o seu trabalho. Mesmo dentes e ossos passam a fazer parte do composto.

Por mais que alguém possa detestar seu próprio corpo o fato é que não há como não cuidar da sua preservação. Isso em vida. Há quem diga que tanto faz o que se fará com o seu cadáver de vez que, depois da morte, isso pouco importa. Mas, também é fato que se vive dentro dessa massa de músculos e ossos durante muito tempo para não se preocupar, só um pouquinho, com o que será feito dela depois da morte. Eu não serei mais eu, mas e daí?

Não imagino como você reagiria caso recebesse a proposta de deixar o seu corpo para compostagem. Entretanto, parece que há muita gente que acha isso muito normal. No Estado de Washington, EUA, acaba de ser legalizada a compostagem humana. A lei descreve a compostagem como “conversão acelerada dos restos humanos em terra”.

Quem assistiu à série GoT, que acaba de terminar, presenciou uma enormidade de assassinatos. Os cadáveres eram queimados em fogueiras. Em certo capítulo perguntou-se sobre um falecido se deveriam queimá-lo ou enterrá-lo. Em outro, ao pai de uma jovem morta, o lord ordenou que a boa carne dela fosse servida para alimentar soldados. A dúvida do pai era justamente se ela deveria ser queimada ou enterrada.

A morte é e sempre será situação intratável. Sabemos que a vida é finita, que a morte nos espreita, que um dia virá, apartando-nos do mundo. Caso tivesse que opinar entre sepultamento e cremação não sei dizer qual seria a minha escolha. Agora, seguir para a compostagem…

Niki Lauda

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A bem da verdade nunca fui exatamente fã de Fórmula 1. Milhares de pessoas tem fascinação por carros. Conheço gente que conhece a função de cada item de controle dos veículos. Hoje em dia os painéis trazem inúmeras funções a serem acionadas pelos motoristas. Confesso mal saber para que servem a maioria dos controles de que dispõe o meu carro. Fico no básico: ligar o motor, verificar a velocidade, ligar o rádio, usar os freios.

Não sei se é correto afirmar, mas imagino que os amantes das corridas sejam aficionados por veículos motores. Em todo caso, mesmo não sendo um deles, posso dizer que a Formula 1 de modo algum terá me passado despercebida.

No saguão de um hotel, na Argentina, certa vez vi os carros nos quais Juan Manuel Fangio conquistou grandes prêmios. Eram modelos em acordo com a época que foram produzidos, nem de perto comparáveis aos atualmente utilizados pelos pilotos nas temporadas de Formula 1. Em nosso país o interesse pelos grandes prêmios dessa categoria cresceu com Emerson Fitippaldi. Emerson tornou-se campeão mundial, gerando idolatria em torno de sua figura. A família Fitippaldi tornou-se centro de atenções. Wilsinho, irmão de Emerson, era figura de proa no noticiário das corridas.

Mas, o nome que despertaria verdadeiras paixões no país foi o de Ayrton Senna. Senna tornou-se um grande campeão, idolatrado como verdadeiro herói por suas brilhantes vitórias. Sua morte prematura, provocada por acidente no GP de San Marino, emprestou à sua imagem grande perenidade. Popular em vida, figura mítica após a morte.

Dos tempos em que Fittipaldi corria na Fórmula 1 veio-nos a figura de Niki Lauda. Tricampeão mundial, em sua longa carreira Lauda ainda participaria de grandes prêmios com dois brasileiros que se tornariam campeões mundiais: Nelson Piquet e Ayrton Senna.

Lauda sofreu um grave acidente no Autódromo de Nürburgring, na Alemanha. Chegou a receber extrema-unção, mas recuperou-se. Era conhecido por gostar muito do Brasil, particularmente de Fortaleza e do Rio. Proprietário de uma companhia aérea Lauda vinha com frequência ao país, hospedando-se aqui.

Niki Lauda faleceu dias atrás, deixando grande tristeza entre seus admiradores. No Brasil a morte de Lauda faz-nos lembrar de que já a algum tempo não há pilotos nacionais a conquistar o campeonato de Fórmula 1. Num país com carência de verdadeiros ídolos abre-se enorme vazio a ser preenchido por novas revelações que se destaquem.

Nomes como os de Emerson Fittipaldi, Niki Lauda e Ayrton Senna povoam o imaginário popular e não devem ser esquecidos.

Na velhice

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No consultório a médica me pergunta como me sinto em relação a minha idade. Penso para responder. A médica é jovem, tem a vida frente. Já fez toda anamnese e termina o inquérito com essa pergunta. Olhamo-nos. Antes que eu diga qualquer coisa ela acrescenta que não aparento a idade que tenho. Será?

Respondo, finalmente, ora, que me sinto muito bem. A idade não me preocupa. Deixei de correr depois da cirurgia de coluna, mas sigo andando uns bons quilômetros. Digo que, o problema é não considerar que estou velho. Ela me interrompe: mas isso é bom. Numas, afirmo. Por exemplo: deveria lembrar da minha idade ao atravessar ruas de grande movimento; mais cuidado ao dirigir porque não tem jeito, os reflexos já não são os mesmos.

Mas, tem gente de mais de 70 que se entrega à velhice, o que é pior. Um conhecido recolheu-se à sua casa e chora muito. Exagerou no cigarro e no álcool e sua saúde não é lá essas coisas. Mas, o diabo é a depressão. A depressão traz tristeza e lágrimas. Chora-se pelos erros do passado, pelo que poderia ter sido realizado, por tanta coisa. Incrível como as coisas boas do passado parecem perder o peso. Parece até lavagem cerebral o fato de se lembrar apenas de coisas depressivas.

É certo que incomoda - e muito - a falta de perspectivas em relação ao futuro. Depois dos 70 o futuro é nublado. Não se sabe até onde a vida seguirá. Mas, e daí? Tem gente que fica sentada, esperando a chegada da morte. Bobagem. Digo isso à médica. Ela sorri. Mas, não deixa de perguntar se não ando meio depressivo. Respondo que, para ser sincero, não tenho tempo livre para isso. Quem sabe, se ficasse mais em casa…

Saí do consultório e retornei ao meu mundo no qual não faltam problemas. Isso cansa. Confesso que imaginava situações bem mais calmas na velhice. Mas que fazer nesse mundo convulso no qual os atores que têm nas mãos o poder erram e erram? Quanto desgoverno mundo afora.

Ligo o computador. Abro um e-mail de um antigo colega de faculdade. Ele se deu ao trabalho de pesquisar o destino dos colegas da nossa turma. Éramos oitenta na formatura. De lá para cá dezesseis morreram. Pô! Incrível. Dezesseis? O que deu nessa gente para desertar sem aviso prévio.

Leio os nomes dos colegas falecidos. Nunca mais os vi depois da faculdade. Daí que guardo na memória as imagens deles quando jovens. Impossível que Fulano, jovem e forte nas minhas lembranças, tenha morrido. Não faz sentido. Pensando bem, talvez a vida não faça sentido.

Escrito por Ayrton Marcondes

17 maio, 2019 às 1:03 pm

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Doris Day

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Inevitável que sejamos presos a referências. Quem viveu no Brasil entre 1964 e 85 terá como referência a “época da ditadura”. Meu pai referia-se ao período da Revolução de 1932 como marco de mudanças em sua vida. Contava-me que, casado e com um filho, esquivou-se de incorporar-se às forças paulistas, missão que coube a um irmão dele, meu tio. Mas, o “esquivar-se” deveu-se à insistência do meu avô que temia a morte do primogênito em combate, deixando viúva e filho ainda pequeno.

Pessoas importantes ou famosas também se tornam referências de épocas. Marcam, por suas características e atuações, o modo de ser de determinados períodos. Acontece muito com atores de cinema que conhecem grande popularidade junto ao público. São identificados por grandes parcelas da população que neles veem imagens de determinado modo de ser e viver que a elas parece interessante e correto.

Com Doris Day aconteceu vestir o figurino de uma época na qual o conservadorismo a elegeu como ícone. Atriz e cantora era imensa sua popularidade. Quase sempre trabalhando em filmes de enredo mais leve, desempenhava o papel da mocinha sempre pronta a resistir aos avanços dos homens, preservando sua virgindade. Foi assim que dos anos cinquenta até os sessenta do século passado destacou-se. Seus últimos filmes, no final dos anos sessenta já não faziam tanto sucesso. A Guerra do Vietnam e fatos ocorridos no cotidiano mudariam o modo de ver dos norte-americanos. Tanto que mesmo o programa televisivo de Doris seria encerrado no início dos anos setenta. Nascida em 1922 Doris já não era então uma mocinha.

De Doris Day guardei imagens de seus filmes ao lado de Rock Hudson. No primeiro deles “Confidências à meia noite” eis Doris no papel da mocinha a resistir os encantos de um a grande sedutor, representado por Hudson.

Doris Day acaba de morrer aos 92 anos de idade. Impossível evitar que seu desparecimento não nos conduza a um passado no qual o modo de vida e os valores contrastam com o que hoje presenciamos. Eram outros tempos os quais, pelo menos assim nos parecia, existia alguma magia em viver e fazer parte do mundo.

Separação

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Encontro um conhecido na feira. Torcedor fanático do Palmeiras ele me saúda, cantando o hino do tricolor. É uma provocação. Digo a ele que, entretanto, tiramos o título do Palmeiras para entregá-lo a Corinthians. Ele concorda. Sorri.

Eu o conheço justamente da feira. Ele trabalha nas bancas, ora nas de legumes, ora nas de frutas. Tem um filho que torce para o São Paulo. Pergunto sobre o filho. Antes o filho também trabalhava nas barracas. Agora tornou-se garçom. Está num restaurante de movimento. O pai garante que o filho está bem.

Mas, reparo que o meu conhecido está muito magro. Brinco com ele, perguntando por que teria desistido de comer. Ele sorri meio sem jeito. Depois se abre. Relata que se separou da mulher. Quando? Há seis meses. Gostava dela? Muito. Longe da família é o que dói. Vivendo sozinho. Perdido no mundo. Sem horizonte. Escapa a ele o sentido da vida.

Digo que a coisa é feia até o fim do primeiro ano. Quando se gosta da mulher perdura o medo de que ela esteja com outro. Mas, no fim do primeiro ano a dor melhora. Depois virá o segundo. O segundo é vital. Vai-se esquecendo. Libertando-se. No fim do segundo as coisas entram no ritmo. Quem sabe, a meio caminho outra mulher. Mas, a via crucis não é eterna. Sofrimento tem fim, sim.

Ele me diz que já ouviu a mesma coisa. Estatuto de homem separado. Gravado no papel, linha por linha. Na separação dolorosa há que se habituar com o ritmo do sofrimento. No começo céu fechado, tempestade. Meses depois a chuva vai parando. Dias de sol, só mesmo depois de dois anos. Isso para os apaixonados.

Homens atacam mulheres, fisicamente. São os possessivos. Mulher torna-se propriedade. Ciúmes doentios. Não aceitam novos relacionamentos da ex. Então partem para a agressão. Feminicídios são rotineiros. Afinal, o amor está em crise?

O meu conhecido está agora na banca de bananas. Atende com um sorriso de falsa alegria. Está sofrendo. Isso dói. Mas, não há dor de alma que não se supere. Quem não consegue mata ou morre.

Despeço-me desse homem combalido, afiançando a ele que o sofrimento tem fim. Será? Ele me gradece pelo apoio. Mas, no começo da tarde, a feira terminará, as barracas serão desmontadas. É domingo. Dia das mães. Então ele irá para o lugar onde agora vive, esperando as horas se esgotarem. Até o novo dia. Como no alcoolismo: um dia de cada vez.

Conheço essa dor.

Antes e depois

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Com frequência os sites da internet exibem as sessões chamadas “antes e depois”. Trata-se de fotos de celebridades, em geral atores e cantores internacionalmente conhecidos. As fotos de “antes”, obtidas nos períodos de auge de suas carreiras, são confrontadas com outras registradas anos depois, muitas delas já na velhice. Lado a lado essas fotos buscam marcar o declínio físico e da beleza das pessoas fotografadas. Mais: a chamadas para os internautas se interessarem são do tipo “veja como ele(a) era e como ficou”.

Ninguém resiste à passagem do tempo, muitas vezes comprometida por tropeços que influem dramaticamente na aparência das pessoas. É o caso daqueles que se perdem no mundo das drogas, etc. Mulheres de rara beleza em suas primeiras décadas de vida surgem comparadas às suas imagens quando mudadas pela passagem do tempo. Em muitos casos realmente custa acreditar tratar-se da mesma pessoa.

Mas, afinal, a que servem essas comparações? Que pretendem seus autores ao expor a precariedade da condição humana, sempre sujeita ao inevitável desgaste proporcionado pelo avanço dos anos?

Eis aí o kitsch documentado em todo seu esplendor. De fato, que interesse há em se observar imagens da envelhecida atriz Ursula Andress em comparação com a mulher estonteante que fora no passado?

O galante Lee Majors, de 1985, transformou-se no senhor de cabelos brancos de 2017. O tempo cuidou de mudar sua imagem, irreversivelmente. A propaganda de um canal noticioso da televisão repete: “o tempo não para, não”. Mas, de nada nos adianta documentar o efeito da passagem do tempo sobre nossos organismos tão perecíveis.

De minha parte prefiro guardar as imagens de pessoas retratadas em seus melhores momentos, no ápice de sua força de beleza. Liz Taylor será para sempre a bela mulher de “A gata em teto de zinco quente”. Paul Newman o jovem boxeador de “Marcado pela Sarjeta”, de 1956.

Você não concorda?

Escrito por Ayrton Marcondes

10 maio, 2019 às 8:31 am

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A nova Babel

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Está no capítulo 11 do Gênesis, primeiro livro da Bíblia, a descrição da Torre de Babel. Até a construção da torre todos os homens falavam a mesma língua e não tinham dificuldades para se comunicarem.

Então um grupo partiu do Oriente e alcançou a planície de Sinar. Nesse local decidiram construir uma cidade e uma torre que alcance os céus. Entretanto, o Senhor decidiu visitar a cidade e a Torre ocasião em que determinou a confusão de línguas para que os homens não pudessem se entender. Assim, os homens espalharam-se sobre a terra.

Não se sabe se também por obra do Senhor - certamente por obra dos homens - vive-se hoje o tempo de uma nova Babel. Habitantes de um mesmo país não se entendem, povos de diferentes nações também não. Vigora enorme dificuldade, não de comunicação, mas de entendimento. Pesa nas relações a força de interesses em jogo, daí os homens deixarem de ver-se como irmãos. Guerras absurdas com grande mortandade instalam-se, sem haver perspectivas de acordos que determinariam o fim dos combates.

Em nosso país a situação é desalentadora. Atravessa-se uma mal disfarçada batalha na qual sobressai-se a alta criminalidade que, até agora, permanece praticamente impune. Crimes odientos se repetem e torna-se comum o desapego pala vida. É matar ou morrer.

Balburdia entre os homens que têm a missão de comandar o mundo. Ditaduras que oprimem o povo. Aqui, bem ao nosso lado, a interminável crise venezuelana que não parece ter resolução a vista. Fome, doenças e insegurança fazem parte do cotidiano de nações inteiras.

É a nova Babel. Dirão que sempre foi assim. Talvez. Mas, no tempo das comunicações velozes o mundo, assim como o rei, está nu. Essa espalhafatosa nudez nos revela um mundo convulso no qual pouco a pouco vai-se degradando a esperança e a alegria de viver.

Game of Thrones

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Confesso não ter muita paciência para assistir as séries na TV. Entretanto, tamanho barulho se faz em torno dos capítulos finais da série GOT que não resisti. Comecei desde o primeiro capítulo da primeira temporada e já alcancei a quarta temporada.

Não é minha intenção tecer comentários sobre a série de resto escrita e falada à exaustão. Daí me restringir ao nono capítulo da terceira temporada, avisando que o que se segue é spoiler.

Bem. Robb Stark tinha jurado casar-se com uma das filhas de Walder Frey, mas não honrou seu juramento dado apaixonar-se por outra moça. Em guerra e precisando do apoio de Frey Robb o visita, acompanhado sua mãe e alguns de seus soldados. Frey os recebe magnificamente. Aceita as desculpas do rapaz e promove grande recepção.

Até aí tudo corre maravilhosamente. Acontece, que ao final da festa, Frey manda fechar as portas e surgem seus soldados armados com arcos e flechas. Instala-se grande carnificina. A mulher de Robb, grávida, é das primeiras a ser atingida. Robb recebe várias flechadas, o mesmo acontecendo com sua mãe. Os membros da comitiva de Robb são chacinados dentro e fora do castelo.

Nada de novo numa série na qual a violência é rotineira? Não. Poucas vezes tem-se visto cenas de tamanha crueldade e violência. A personagem de Frey, sentado defronte sua mesa e apreciando, gostosamente, a vingança pela quebra do juramente a ele feita é tremenda. A reação da mãe de Robb que ainda tenta salvar o filho seria comovente não fosse o fato de ter seu pescoço cortado e dele emergir um rio de sangue.

Cenas brutais das quais não nos livramos facilmente. Talvez ao gosto de muita gente, ainda assim inesperadas e difíceis de serem esquecidas.

GOT faz sucesso no mundo inteiro. Mas, não é uma série para ser vista por quem tem estômago fraco.

Furacões

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De furacões estamos habituados a receber imagens e notícias. Acontecem em outras partes do mundo, em geral no Caribe e leste dos EUA. As imagens são assustadoras. Há cidades literalmente devastadas. Mortes. Perdas. Ventos de mais de 150 km/h arrastam tudo o que encontram pela frente. Pessoas abandonam suas casas antes da chegada dos furacões, migrando para onde possam ser protegidas. Convive-se com isso. Aliás, nos EUA, também com incêndios frequentes, na California.

Desastres naturais. O Brasil tem sido considerado pátria abençoada. Não existem vulcões por aqui. Até hoje nenhum tsunami chegou às nossas praias. Furacões, então…

Pois é. Domingo desta semana fortes ventos atingiram o litoral de São Paulo. A região de Ilhabela e São Sebastião foi a mais atingida pela convulsão dos ventos. Relatos e imagens de barcos levados pelas ondas, árvores arrancadas pela força dos ventos, muita destruição. Segundo pessoa ligada à administração de Ilhabela, o que aconteceu não foi apenas tempestade com ventos fortes. Foi um furacão. A sempre bela Ilhabela teria sido atingida por um furacão.

Divulga-se que, no domingo, os ventos chegaram à marca de 150km/h. A ser assim aconteceu mesmo um furacão, categoria 1 na escala de Saffir-Simpson. A escala 2 compreende furações acima dos 150km/h.

O furacão de domingo, em Ilhabela, notabizou-se pelo desaparecimento de conhecida modelo e apresentadora de TV. Estavam, ela e o marido, num barco a fazer a travessia entre Ilhabela e São Sebastião. Justamente naquele lugar. Naquela hora. Eis que fortes ondas e ventos fizeram que a modelo caísse no mar. Em vão o marido tentou resgatá-la. O corpo da moça foi encontrado, depois, sem vida.

Naquele lugar. Naquele momento. A força do acaso. Combinação de circunstâncias desfavoráveis como se a morte engendrasse cruel sequência de acontecimentos que resultariam no fim de uma vida.

Foi assim que aconteceu. Desse modo a jovem foi-se embora.

Messi e Pelé

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Fala-se muito sobre Messi. O argentino do Barcelona joga demais. Bem demais. Atingiu a marca dos 600 gols e será, mais uma vez, o melhor do mundo. Muito justo, aliás.

De Messi reclama-se não jogar bem na seleção argentina. Grande no Barcelona, menor na seleção. Com Messi em campo a Argentina não coleciona títulos. Messi não logrou vencer uma Copa do Mundo.

Acontece que Messi é um jogador, fabuloso jogador, de equipe. Sua grande visão de jogo requer companheiros afinados com ele. Capaz de definir partidas, distribui e recebe passes precisos. No Barcelona joga com companheiros que anteveem o seguimento dos lances do ídolo. Na seleção argentina Messi mais parece o grande capitão de um navio, mas em terra firme. A bola sai de seus pés, nem sempre volta.

No rádio comenta-se a grande atuação de Messi no jogo de ontem. Surge uma pergunta: Messi compara-se a Pelé?

Os radialistas confessam não terem visto Pelé jogar. Perguntam se o endeusamento do Rei não faria parte de exaustiva repetição das qualidades do mito.

A comparação entre Pelé e Messi na verdade não tem sentido. Pelé foi um jogador fora da curva. Não é que ele não precisasse de seus companheiros em campo. Entretanto, sua genialidade era explosiva. Sim, explosiva. De repente, do nada, eis a criação de algo inesperado, genuíno. Para isso não precisava de ninguém.

Eu vi Pelé jogar. Presenciei o Rei partir com a bola do meio do campo, driblar uma defesa inteira e entrar com bola e tudo dentro do gol. Inimaginável.

A grandeza de Pelé provinha de sua inteligência, genialidade, físico excepcional e imensa habilidade com a bola nos pés.

Não há que se fazerem comparações de Pelé com quem quer que seja. O fato é que ele foi único. Nenhum demérito para Messi, grandíssimo jogador, mas de outro estilo.

Escrito por Ayrton Marcondes

2 maio, 2019 às 12:13 pm

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