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O avanço da criminalidade

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Pesquisadores das Universidades de Indiana e Pensilvânia publicam trabalho no qual associam características físicas cerebrais ao crime. Segundo informam o escaneamento de cérebros de psicopatas revelou terem todos eles amígdalas cerebrais 20% menores em tamanho que as normais. O mesmo foi verificado em crianças consideradas como problema por professores e pais. Destaque-se que as amígdalas cerebrais e o córtex pré-frontal são áreas ligas às emoções incluindo-se aí a culpa e o medo.

Falei sobre esse assunto ontem, destacando o perigo de estigmatizarão de pessoas e mesmo a familiaridade de trabalhos como esse com perigosas ideias eugênicas. Os programas de “limpeza racial”, historicamente praticados, basearam-se em teorias deterministas com resultados terríveis e de triste memória.

Entretanto, fica a pergunta: o que há com a cabeça de pessoas capazes de praticar gratuitamente crimes violentíssimos? Faço a pergunta por que estarrecido com um vídeo exibido esses dias na televisão no qual um rapaz foi assassinado de maneira brutal e inexplicável.  Chegava ele em sua casa quando foi abordado por três bandidos. Ao abrir o portão, que dá para um corredor, os bandidos entraram e presume-se que se travou entre a vítima e os bandidos um rápido bate-boca. O fato é que os bandidos não prosseguiram em seu intento e saíram. Em seguida o rapaz dirigiu-se ao portão para fechá-lo. Foi nesse instante que aconteceu a tragédia: um dos bandidos, que já estava na rua, retornou e, friamente, alvejou o rapaz, desaparecendo em seguida. As cenas seguintes mostraram o rapaz no chão e o desespero dos pais tentando acudi-lo.

Tinha o rapaz 20 anos de idade e era estudante. Não resistiu ao ferimento e morreu. Deixou atrás de si uma morte estúpida, inexplicável, irracional. O bandido que retornou para matá-lo perpetrou o ato com grande naturalidade. Nenhum ser humano normal que tenha ainda que rasteira identidade com emoções como o amor, a culpa e o remorso faria aquilo. O assassino nada mais era que um ser humano despersonalizado, eclipsado de toda sorte de valores que regem não só a vida em sociedade como o respeito elementar à própria vida. Fez o que fez como faria qualquer outra coisa simples, certamente igualada em sua escala de valores a um assassinato.

Não se está aqui a concordar com os americanos que buscam em malformações cerebrais as raízes do comportamento criminoso. Nem se está a ponderar sobre a inculpabilidade de pessoas que podem ser consideradas irresponsáveis. Evidentemente, em casos como o acima narrado pesam fatores como a vida à margem da sociedade, a ausência de educação básica, a marginalização imposta pelo Estado, as condições de vida tantas vezes sub-humanas, os efeitos imediatos de drogas como o crack que levam indivíduos a atos escabrosos, doenças mentais, psicopatias etc.

O problema é que casos semelhantes repetem-se muitas vezes ao dia. Ontem mesmo uma senhora de 72 anos encontrou um ladrão na sala de estar de sua casa: assustada gritou e acabou recebendo um tiro que provocou a sua morte.

É realmente impressionante o número de assassinatos cometidos gratuitamente, bestamente. A noção de que isso pode acontecer a qualquer um é assustadora, enervante, inaceitável, tolhe as liberdades individuais e desafia o compromisso de segurança do Estado em relação aos cidadãos. Afinal, haverá algum tipo de solução para mal tão grande e absurdo, fator preponderante nas tragédias cotidianas que habitualmente assistimos?