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Stand up

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Certa vez assisti a um filme de Wood Allen no qual ele participa de uma competição de stand up. Na cena a personagem de Allen prepara-se para entrar no palco, justamente depois de um sujeito que arranca muitos risos da plateia. Chega a vez de Allen. Ele entra no palco, homem pequeno e desconfortável, confuso, por isso mesmo engraçado. Depois, já com o microfone, faz uma piada sobre o presidente dos EUA, dizendo que se ele fizer na Casa Branca o que faz com a mulher as coisas serão terríveis. A plateia ri, aplaude e Allen sai do palco, tão indeciso como quando entrou.

Assisti outro dia uma entrevista de Chico Anísio no You Tube. O ano era o de 1993 e Chico falava a entrevistadores do programa Roda Viva. A certa altura ele disse que o nordeste é a região de onde saem ótimos comediantes, particularmente o Ceará é berço de notáveis praticantes do gênero. O próprio Chico era cearense. De fato, quem vai a Fortaleza fatalmente será convidado a participar e algum show de humor. Pela orla da praia circulam veículos com alto-falantes fazendo propaganda de shows que acontecem toda noite. Isso sem falar nos comediantes que se apresentam na rua, perto da famosa feirinha. Começam a falar, em torno deles se forma um círculo de pessoas e aí tudo pode acontecer para a diversão dos presentes.

Hoje em dia os stand-ups estão na moda. Têm surgido bons comediantes que atraem o público para suas apresentações. Danilo Gentile mantém um programa de TV no qual a regra é o escracho ou coisas próximas. Convidados são entrevistados, tendo que enfrentar perguntas que podem vexá-los. A regra é a de tiração de sarro, havendo dupla via, ou seja, quase sempre o entrevistador se vê em situações delicadas. O programa é interessante e quase sempre muito divertido.

Quando José de Vasconcelos morreu escreveu-se que ele foi o introdutor do stand up no Brasil. Durante muitos anos Vasconcelos foi o grande cômico do Brasil. Seus shows foram gravados em discos e as piadas reproduzidas em toda parte. Assisti a um stand-up de Vasconcelos quando ele já não atraia multidões em suas apresentações. Durante o show tive que me segurar na cadeira para não morrer der rir. O Zé era demais. Nunca me esquecerei do momento em que o show terminou. O público aplaudiu e já estávamos em pé quando o Zé saiu detrás das cortinas e perguntou se alguém avisara que o show terminara. Seguiram-se mais 30 minutos de uma saraivada de piadas desconcertantes. Zé Vasconcelos falava o que lhe vinha à cabeça, ligando uma piada à outra, não nos dando tempo para respirar. Noite memorável de um grande comediante.

Rir faz bem. A vida atual é séria demais e não se vê pessoas rindo por aí. O mundo seria melhor se não o levássemos tão a sério e nos permitíssemos observar o lado jocoso da vida que tantas vezes está ao alcance de nossos olhos, embora o ignoremos.

Escrito por Ayrton Marcondes

4 novembro, 2013 às 12:30 pm

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