Segunda-feira at Blog Ayrton Marcondes

Segunda-feira

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Acho que o que já foi escrito sobre segundas-feiras mais que suficiente. Entretanto, que fazer se depois da calmaria de domingo seguem-se justamente elas, e com elas o retorno ao mundo dos problemas, das coisas pendentes, dessa irônica necessidade de suplantar tudo e respirar fundo para dizer “tudo bem”?

Mas, afinal, “tudo bem”?  Na verdade a resposta depende da intensidade do que se tem pela frente e, vá lá, do ponto de vista de cada um.  É nesse ponto que falam alto as características pessoais, o modo como cada um encara a vida e as perspectivas à sua disposição.  A fauna humana é vária daí a monumental diversidade de reações possíveis a toda sorte de situações do dia-a-dia.  Entretanto, existem situações nas quais se se estabelece acordo tácito entre as pessoas que passam a comungar da mesma opinião.

Veja-se, por exemplo, a reação pública à tragédia ocorrida no parque Hopi Hari. Uma menina se solta de uma cadeira do brinquedo Torre Eiffel e cai de uma altura de 20 metros. Ela estava sentada ao lado dos pais e de uma irmã e morre devido à queda. Uma perícia errada é feita inicialmente e no fim das contas informa-se que a cadeira estava inativada há dez anos. Fala-se em falha humana, mas a responsabilidade pelo acidente vem sendo atribuída ao parque. Começa uma espécie de jogo no qual cada parte procura isentar-se de responsabilidade sobre o triste acontecimento. Do outro lado, o sofrimento da família da menina morta cujos pais exigem a apuração do fato e a punição dos responsáveis.

Mas, como os cidadãos veem tudo isso? A questão é que ocorrido o acidente a mídia tomou-o para si, dando ao Hopi Hari destaque incomum. Jornais, revistas, portais da internet, programas de televisão - particularmente os policiais – detalham continuamente as circunstâncias do acidente e cada passo da investigação. O Hopi Hari recebe destaque nacional e sobre ele e seus proprietários passa a existir uma grande dúvida sobre os seus propósitos e cuidados com os usuários de seus brinquedos. Dentro desse contexto a opinião pública volta-se contra o parque, raramente encontrando-se alguma voz que pondere sobre o fato de que, afinal, num brinquedo como a Torre Eiffel, talvez um acidente acabasse sendo possível, embora injustificável.

Eis aí um ponto no qual as opiniões convergem, embora dirigidas por um movimento extraordinário de notícias que nos fazem pensar o tempo todo na pergunta: e se fosse o meu filho?

O parque Hopi Hari está fechado por dez dias e todos os brinquedos passarão por cuidadosa vistoria na qual serão verificadas as condições de segurança de cada um. Impossível saber como se comportarão os usuários do parque quando ele for reaberto. É possível prever que dentro de alguns dias o turbilhão ceda lugar ao esquecimento e a mídia passe a se ocupar de outro assunto. O que não pode acontecer é a não apuração de responsabilidades. Uma menina de 14 anos de idade morreu em circunstâncias trágicas e os verdadeiros responsáveis devem ser identificados e punidos.



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