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O ser real e a personagem

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Aconteceu durante conversa há muitos anos. Um escritor cujo nome me escapa escrevia livro que publicaria sob pseudônimo. Papo vai, papo vem, ele disse:

- Vejam bem: de segunda a quarta sou eu mesmo; de quinta a sábado sou fulano de tal, meu pseudônimo. Incorporei isso para poder escrever. Caso queiram falar comigo procurem-me no início as semana, até a quarta, porque, depois, sou o outro.

Lembro-me de que ao ouvir isso as pessoas se entreolharam e se calaram. O autor da declaração parece ter tomado o silêncio dos ouvintes como acordo tácito e fechado. Para ele, criador, a situação em que vivia naquele momento seria absolutamente natural.

A questão do “outro” é sempre interessante.  Leio com muita atenção declarações de atores que dizem viver intensamente suas personagens, sendo, depois, difícil separar-se delas. Alguns deles atuam em séries de televisão que, por vezes, duram muitos anos daí passarem a ser confundidos com as personagens que interpretam. No Brasil creio que o ator Marco Nanini tornou-se mais conhecido como Lineu, a personagem que interpreta no programa “A Grande Família”. Ele declara que pinta o cabelo para interpretar a personagem para “não ver o Lineu no espelho” quando acorda de manhã.

Entretanto, existem pessoas sobre as quais circulam tantas histórias que talvez nunca cheguemos a saber quem realmente são ou foram. Uma delas acaba de falecer: o ditador Kim Jong-Il da Coréia do Norte. Segundo fontes oficiais coreanas o ditador faleceu vitimado por um infarto e seu corpo está sendo velado dentro de um caixão de vidro. A TV norte-coreana divulgou vídeo mostrando pessoas chorando nas ruas a morte do ditador.

Sobre Kim Jong-II circula verdadeiro mar de histórias, a principal delas seu governo com mão-de-ferro e sua oposição aos regimes democráticos do mundo. Baixinho, Kim aparecia em público usando sapatos com plataforma e cabelos arrepiados para parecer mais alto. No mais, passava por um tipo misterioso: mulherengo, amante da boa mesa e do álcool, excêntrico, intempestivo, louco por cinema etc.

Kim Jong-II foi um ditador comunista que glorificou a si e seu pai. Deixa em seu lugar o filho mais novo sobre quem existem especulações mundiais. É provável que não cheguemos a saber quem realmente foi Kim Jong-II homem misterioso sobre quem restaram mais dúvidas que certezas. Temos notícias sobre o ditador comunista que se apresentava como personagem de cabelos arrepiados e usando sapatos com plataforma para compensar os seus 1,57 m de altura e quase nada mais. Para os ocidentais a imagem de Kim veiculada pela mídia foi a de um homem perigoso, governando um país proprietário de ramas nucleares, portanto ameaça para o mundo.