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Teremoto no Chile

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Aconteceu um terremoto de grande magnitude no Chile. Os 8,8 pontos na escala Richter superaram os 7,0 pontos do recente terremoto que tantos estragos causou ao Haiti.

As imagens que chegam do Chile dão idéia da dimensão da catástrofe que se abateu sobre a capital, Santiago, e outras cidades. O que se vê, por toda parte, são cenas de destruição: prédios e casas danificados ou que desabaram, viadutos destruídos, grande quantidade de veículos inutilizados e escombros. Pior que isso tudo: até agora 700 mortos, número que, infelizmente, tende a aumentar.

Olho para as imagens de destruição e me sinto abestalhado. Impossível aceitar que uma força sobre a qual não se tem controle entre em ação de repente, ceifando vidas, destruindo obras que tanto demoraram a ser realizadas. Tudo ocorre instantaneamente, sem aviso prévio, ao bel-prazer de movimentos de placas tectônicas que se movem gerando, do epicentro do fenômeno, ondas de desequilíbrio que se propagam por terra e pelas águas oceânicas. A partir daí o desastre torna-se inevitável e o que fica é essa sensação de impotência, a esperança de que pessoas sobrevivam e o país consiga superar a grande tragédia que se abateu sobre o seu povo e território.

E fica a saudade de Santiago, bela cidade que tem a emoldurá-la a Cordilheira dos Andes. Santiago é acolhedora com seus pontos de referência que tanto amamos. Aqui a Catedral Metropolitana, defronte a ela o grande prédio que já foi um luxuoso hotel de tantas recordações. Bem perto, o Palácio de La  Moneda  onde Salvador Allende suicidou-se iniciando-se a ditadura de Pinochet.

Ruas de Santiago, caminhos percorridos a pé em manhãs muito frias, lembranças tão caras agora substituídas por imagens de destruição que, com força e determinação, serão substituídas por outras de reconstrução.

Escrito por Ayrton Marcondes

28 fevereiro, 2010 às 6:20 pm

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O fantasma do Chile

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Salvo engano parece-me que os homens públicos que se notabilizaram por atos condenáveis, quando não inaceitáveis, têm vida mais longa nas memórias, sendo citados com mais frequência. O mais marcante exemplo desse fato é, sem dúvida, Adolf Hitler, cujo nome tornou-se sinônimo de barbárie, daí sobreviver por tanto tempo não havendo perspectiva de que venha a ser esquecido.

allendeDegraus abaixo de Hitler estão os ditadores que atuaram e atuam em períodos marcadamente violentos da vida dos povos de diversos países. Nesse sentido, o caso da América Latina é exemplar. De fato, nas décadas de 60 e 70 instalaram-se no continente sul-americano ditaduras militares que se caracterizam como regimes totalitários fechados, responsáveis por perseguições políticas e torturas. Esses regimes proliferaram sob o beneplácito dos Estados Unidos numa história que ainda não foi verdadeiramente contada.

Não deixa de ser curioso que, pelo menos aparentemente, a ditadura militar brasileira tenha legado à posteridade marcas menos impactantes que as impressas pelas ditaduras argentina e chilena. Existiu, sim, no Brasil um quadro violento de repressão, tendo as mãos do Estado de então alcançado e punido exemplarmente contestadores e dissidentes. Não ficou o Brasil isento de perseguições de fundo ideológico, encarceramentos, torturas e pessoas desaparecidas. Entretanto, talvez pela natureza do povo brasileiro, decorridos cerca de 20 anos do fim da ditadura o assunto figura como pertencente ao passado: realmente não se volta a ele a todo instante.

O mesmo não acontece em relação à Argentina e o Chile, países em que os cadáveres dos sangrentos períodos ditatoriais continuam insepultos.  A Plaza de Mayo localizada defronte a Casa Rosada, em Buenos Aires, continua a receber, as “Madres de la Plaza de Mayo”; recentemente o governo da presidente Cristina Kirschner autorizou testes de DNA, visando identificar crianças que foram doadas durante o período de repressão; e os envelhecidos generais, membros de governos militares, ainda são processados e condenados.

la-monedaJá o Chile continua a ser assombrado pelo fantasma do ditador Augusto Pinochet. A figura do presidente socialista Salvador Allende suicidando-se no Palácio de La Moneda, quando sob o ataque de tropas militares golpistas comandadas por Pinochet, parece ser um filme sem fim. Isso é o que se observa ainda nos dias de hoje quando as eleições presidenciais chilenas apontam para um retorno da direita ao governo.

Próximo ao palácio governamental de La Moneda, em Santiago, existe uma estátua de Salvador Allende. Ele parece estar ali para garantir que o retorno à democracia chilena, ocorrido há 20 anos, persista. Mas quem circula por Santiago hoje em dia percebe o receio popular de que isso possa não acontecer. Afinal, a direita pode vencer as eleições e quem sabe uma estátua de Augusto Pinochet apareça na cidade, dando forma em bronze ao fantasma que tanto assusta ao povo chileno.