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Em quem votar?

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Correm céleres as opiniões sobre a escolha do novo presidente. O assunto empolga. Os dois candidatos contam com taxas de rejeição altíssimas. Em torno de ambos se cerra um clima de desconfiança. Quanto mais se discute mais as cosias ficam confusas. De um lado a herança do maior caso de corrupção já registrado na história do país. O receio de que continuemos a ser roubados empalha a candidatura do candidato do PT. De outro o receio do autoritarismo, do fascismo e nova ditadura. Generais que possivelmente ocuparão ministérios no futuro governo não escondem suas intenções quanto à “normalização” da vida pública no país.

Entre dois fogos, a pergunta: em quem votar? Confesso meu receio em relação ao autoritarismo. Em 1964 eu era um estudante do curso colegial, atualmente Ensino Médio. Estava na primeira série do colegial quando o golpe de 64 aconteceu. Naquela ocasião morava em Itu e, vez ou outra, frequentava o clube da cidade, sempre levado por um amigo. Entretanto, não era sócio. Na verdade, a minha entrada ficava na dependência de uma cortesia do clube a meu tio que ocupava cargo importante na magistratura da cidade.

Ocorre que dois dias depois do golpe fui ao clube com o meu amigo. Barrado na entrada, fui conduzido à sala do presidente do clube, um coronel. Durante bom tempo ficamos, eu e o amigo, em pé no canto da sala, esperando que o presidente se dignasse a atender-nos. Até que, em certo momento, ousei dirigir-me ao homem. Fui recebido com uma saraivada de palavras duríssimas. Ouvi um discurso sobre a necessidade de acabar com privilégios. Ao que praticamente me vi expulso do lugar. Iniciava-se uma nova era.

O problema maior do autoritarismo é o fato de despertar, mesmo em membros da mais baixa hierarquia, a sensação de que não só possuem muito poder como estão imbuídos da missão de reprimir e consertar tudo. Isso eu não entendia na época, mas tive muitas oportunidades de presenciar com o passar dos anos.

Inimaginável o retorno ao governo daqueles que traíram a confiança que neles depositamos, locupletando-se em negociatas que envolveram somas absurdas de dinheiro. Também inimaginável a entrega do governo a um grupo cujo discurso a cada momento dá mostra de suas intenções nem sempre democráticas.

Então, em quem votar?