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Diário de um anarquista

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Missão cumprida! Fodemos eles!

O problema da sociedade é a lentidão. Esses caras aí são devagar. Essa gente engravatada, os milhares que se apertam no transporte público, as mocinhas de coxas roliças, os velhos, os moços: tudo gente devagar. Essa gente dorme sono grande, demora a acordar. Tudo acontece e eles nada. Tipo de gente que aceita, não reclama. Gente de cabeça baixa, pescoço que tem aquela mola de subir e descer, aceitando.

Nós? Esperamos pela oportunidade. Acontece quando por milagre os nunca incomodados se incomodam. Como essa coisa de aumentarem as tarifas dos trens, ônibus, metrô… Bate no bolso, sabe como é.   Só tem uma coisa capaz de revoltar o povo: mexer com o bolso. O cara acorda às 5, deixa o filho doente em casa, se mete no subúrbio, chega no emprego em cima da hora, se arrebenta pra ganhar tão pouco, então aumentam as tarifas, a inflação come o salário: hora de reagir.

Tem quem marque a passeata, sei lá quem. É o sinal. Aquela gente se junta e começa a passeata dos corpos em protesto contra sei lá o quê. É a nossa hora. No quente do movimento infiltramo-nos. Somos uns poucos, sem outra  ideologia que não a de arrebentar - diga-se. O nosso negócio é bater, arrebentar. No meio daquela gente ninguém se dá conta de que não são só “eles”. Nós ficamos”eles”. Aí é bater, quebrar, agredir.

Certo que tem a polícia.  Os caras vêm com gás, bombas de feito moral, bala de borracha. Pedra neles. O grande momento é o da batalha, propriedade privada atacada, sangue escorrendo, porrada pra todo lado. É o que vale.

Você viu na TV o cara estourando o que tinha pela frente?

Pô, era eu.

Escrito por Ayrton Marcondes

10 janeiro, 2016 às 10:35 am

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A origem do mundo

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Acredita-se que o universo, tal como é conhecido, tenha se originado há cerca de 15 ou mais bilhões de anos a partir de uma formidável explosão que os cientistas costumam chamar de Big Bang. Já o nosso sistema solar possivelmente formou-se a partir de uma grande nuvem de poeira cósmica. Girando e condensando-se a nuvem deu origem ao Sol e aos planetas, entre eles essa maravilhosa Terra que a todo custo intentamos destruir.

O enigma da origem do mundo e do aparecimento da vida apaixonou os homens desde a mais remota antiguidade. Hoje se sabe que a vida surgiu nos oceanos há aproximadamente quatro bilhões de anos. Os primeiros seres vivos não passavam de células originadas pelas reações entre pequenas moléculas que, progressivamente, ganharam complexidade.

Se os parágrafos anteriores resumem estudos e descobertas de cientistas o mesmo não se pode dizer sobre outras interpretações sobre a origem do mundo. Visões particulares de filósofos e artistas conferem outras dimensões a respeito de fatos sobre os quais os cientistas se debruçaram ao longo de séculos.

Nesse sentido é muito interessante a interpretação de Gustave Courbet (1819-1877) sobre a origem do mundo no quadro homônimo que desenhou. Coubert foi um pintor francês realista cujas telas são produto da observação direta. Considerado anarquista era amigo do filósofo anarquista Proudhon, do poeta Charles Baudelaire e do caricaturista Daumier. É de Pedro José Proudhon(1809-1865) a célebre frase “a propriedade é um roubo” referindo-se ao fato de que a existência da propriedade torna possível a apropriação do trabalho de outrem. Proudhon foi muito lido no Brasil e influenciou vários intelectuais, entre eles Euclides da Cunha. O professor Miguel Reale destaca em seu livro “A Face Oculta de Euclides da Cunha” o aspecto curioso da simpatia o autor de “Os Sertões” por Proudhon de vez que Euclides repelia qualquer tendência anárquica.

Mas, eu me desencaminho. Voltando a Coubert, por volta de 1850 ele abandou a fase realista e passou a desenhar formas voluptuosas de conteúdo erótico. Em 1866, Coubert produziu o quadro extremamente chocante que é a “Origem do Mundo”. Trata-se de uma representação frontal das coxas e da vulva de uma mulher. A observação do quadro incomoda e desperta várias reações, destacando-se a vergonha. O que está exposto na tela é um nu frontal e sem disfarces da genitália feminina, sugerindo os começos da vida e contrapondo-se ao erotismo que normalmente emprestamos a ela. É a dualidade entre erotismo e geração da vida, mostrada na tela com crueza, que fere o observador estimulando os seus preconceitos. Nada a ver, portanto, com as considerações científicas sobre a origem do mundo e da vida.

Gustave Coubert defendia o socialismo e foi um agitador político. É considerado um precursor do impressionismo e do cubismo. Os críticos de arte e os estudiosos do modernismo garantem que os pintores impressionistas aprenderam muito com a arte de Coubert.