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Depois da violência

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Sempre me pergunto sobre ”a vida que continua’ de pessoas envolvidas em atos de violência. Essas mulheres que choram a perda de filhos, crianças vitimadas por balas perdidas, como será o amanhã para elas? Que sentido terá continuar vivendo sob a dor lancinante da perda irreparável?

Numa das grandes rodovias do país aconteceu de um casal parar num posto, à beira da estrada, para abastecer o veículo. Tanque cheio, saíram e logo foram abalroados por outro veículo. Fato acontecido o marido parou seu carro para verificar a extensão do estrago. Nesse momento foi surpreendido pelos ocupantes do outro veículo envolvido no acidente que fora proposital. Eram bandidos. À beira da estrada, envolto pela escuridão, o homem entrou em luta corporal com um dos meliantes. Durante a refrega o homem caiu no leito da estrada, foi atropelado e morreu. Em seguida os bandidos roubaram o carro e sumiram.

Impossível imaginar o terror imposto à mulher que acabara de perder o marido em circunstâncias tão violentas. De um minuto para outro seu companheiro simplesmente deixara de existir através de morte absurda, provocada por um bando de meliantes.

Como seguirá a vida dessa mulher após tão estúpida tragédia? Voltará ela algum dia a dormir em paz?

Filho de pessoa minha conhecida, homem de cerca de 40 anos, trafegava na Via Dutra e parou num posto para tomar um café. Ao sair deu com bandidos e foi assassinado. São passados alguns anos. A mãe segue em frente, inconsolável.

A violência ameaça, oprime. Tão cotidiana tornou-se “comum”. Ouvimos noticiais terríveis com sentimento de impotência. Agradecemos à sorte quando tornamos à casa ao final do dia sem termos sido acossados por situações de perigo. Diante de estatísticas que atestam o crescimento desenfreado da criminalidade perguntamo-nos sobre o que será, afinal, o fim de tudo isso.

A civilização se descontrói diante da escalada brutal da criminalidade.

Escrito por Ayrton Marcondes

22 agosto, 2017 às 11:08 am

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