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A força do acaso

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A notícia do desaparecimento de Eduardo Campos ainda não foi digerida tal o impacto que vem causando. O caso do acidente aéreo acontecido ontem desafia a credulidade. É difícil aceitar que o político que horas antes fora visto no “Jornal Nacional”, sendo entrevistado e mostrando tanta vitalidade, de repente estivesse entre os escombros do avião que caiu em Santos. O abrupto desligamento do mundo, a morte implacável e as dúvidas sobre as razões do acidente impressionam e fazem-nos refletir sobre a precariedade da vida.

Confesso que Eduardo Campos precisou morrer tragicamente para eu prestasse a devida atenção nele. Até então ele figurava como um político do nordeste que aspirava governar o país. Mais um, portanto. Mais um membro da vasta galeria de políticos que tantas promessas fazem para depois esquecê-las. Seria isso.

Atribuo a responsabilidade pela forma de ver contida no parágrafo anterior à política que hoje se pratica no país. A classe política de tal modo tem se comprometido em deslizes inaceitáveis que a figura do político está em crise. A partir daí torna-se difícil separar o trigo do joio. Como acreditar que alguém esteja realmente interessado em melhorar o país, em colocar interesses públicos acima dos interesses pessoais?

É nesse ponto que o avião cai e Eduardo Campos morre. E só aí, só nesse momento, ficamos sabendo dos excelentes governos de Campos em Pernambuco, de sua coragem, de sua liderança e honestidade. Só aí se percebe que tínhamos à mão um candidato no qual apostar, uma força política jovem e vigorosa que talvez pudesse colocar alguma ordem na difícil situação pela qual passa o país.

A comoção gerada pela morte súbita de Eduardo Campos tem sua razão de ser. A morte do político nordestino faz-nos pensar. Sua ausência confere aspectos novos à disputa eleitoral porque mexe com a cabeça dos eleitores. Não se trata dos arranjos partidários que se seguirão, nem da indicação de quem deverá substituir Campos na corrida eleitoral. Trata-se do diálogo entre o eleitor e a urna, do peso da responsabilidade do voto.

A morte de Eduardo Campos golpeia fundo a indiferença pelo voto e o descrédito pelo novo presidente, seja lá ele quem for.

Escrito por Ayrton Marcondes

14 agosto, 2014 às 11:23 am

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