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Noite de sábado

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Ella Fitzgerald canta “Desafinado” e ressuscita outras tantas noites de sábado como aquela em que o Nê, bêbado de cair, batia à janela do quarto e implorava por um disco de Ataulfo Alves. Mas, era preciso que Ella terminasse para que, então, viesse o Ataulfo com o seu samba, invadindo as almas com a dor de amores perdidos.

O Nê, a Ella e o Ataulfo desapareceram há muito tempo. O Nê foi levado por um câncer. Ele que era tão forte e apaixonado pela vida morreu antes dos 50 de idade, deixando um vazio enorme na memória dos que o conheceram.

Mas, nesta noite de sábado me ocorre que também quase todas aquelas pessoas das noites de sábado desapareceram. Uns últimos retardatários erram por aí, nesse louco mundo, resistindo bravamente aos apelos da morte. Hoje mesmo veio a notícia de que o Carlos está mal, internado em hospital. A doença terminal do Carlos confirma como essa vida é estranha, absurda, principalmente passageira, sonho breve de algumas noites de sábado que terminam sem deixar resquícios.

Imagino o Carlos nesses seus últimos dias. Mas, não era ele o camisa 8, magrinho e correndo, do time de futebol? E não foi ele que vagou pelas estradas de Minas, viagens de negócios, até parar porque já era tempo que outro Carlos tomasse o lugar dele?

Mas, é noite de sábado e o Carlos está lá deitado, esperando. Talvez se lembre de tanta coisa, daquelas madrugadas em que éramos todos jovens e a vida nos parecia infinita. Talvez.

Escrito por Ayrton Marcondes

30 junho, 2012 às 11:56 pm

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Postado em Cotidiano

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