Página em branco at Blog Ayrton Marcondes

Página em branco

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Eu não quero a página em branco e ela também não me quer. Estamos os dois, portanto, diante de um impasse: um não quer ao outro, nada além disso. Verdade que não é difícil resolver o problema: basta preencher a página em branco com as velhas letras, tão conhecidas, aquelas que formam palavras e as sentenças que contam coisas e mais coisas. Daí que se pode contar, por exemplo, que um rapaz de 22 anos assassinou o irmão dele, um tetraplégico de 28 anos de idade. O tetraplégico chegou a essa condição justamente por culpa do irmão mais novo que o prejudicou  durante um racha entre os dois. Corpo paralisado o tetraplégico decidiu que o irmão devia a ele a libertação através da morte, daí a dívida saldada por meio de tiros.

Pronto, a página em branco vai se desfazendo porque esmagada pelas letras que formam palavras e estas as sentenças que relatam os acontecidos.  Aliás, retornando ao mundo dos acontecidos paramos no que ainda está acontecendo como o tal uso de questões do exame do ENEN em um colégio de Fortaleza. Agora já se fala que mais de um colégio daquela capital conhecia, com antecedência, algumas das questões que caíram nas provas do último domingo. Pelo que o Ministério Público sai a campo pedindo anulação da prova do ENEN. Começa a girar um rolo compressor que, se chegar aos finalmentes, vai dar o que falar com prejuízos eleitorais para o atual Ministro da Educação, Fernando Haddad. Ele, atual ministro e candidato à Prefeitura de São Paulo, veio a campo dizendo que política é política, ENEN é ENEN, nenhuma relação entre os dois. Afirma que é preciso combater a corrupção para impedir que coisas como essa ocorrida em Fortaleza deixem de acontecer. A ver como será a cobrança popular a mais esse “engano” na área da Educação, isso nas próximas eleições.

Mas, como uma sentença puxa outra, há também o caso do Ministério dos Esportes que foi assumido por essa pessoa tão peculiar que é Aldo Rebelo. Nada consta contra a integridade desse homem que passa de um governo a outro, sendo chamado para missões arrepiantes. Que se saiba não tem ele ligação com a área esportiva, mas é importante que se adestre muito depressa de vez que a FIFA está ai, rugindo como um leão muito grande à cata de lucros. O grande assunto do novo ministro é a Copa do Mundo que se realizará aqui em 2014. A sempre benvinda Copa ao Brasil é ainda mais benvinda aos falsários de plantão entre os quais figuram altas personalidades do mundo do esporte interessadas na destinação e possíveis desvios de grandes verbas, conforme notícias divulgadas pela imprensa.

Como se vê, não há página em branco que resista às atrocidades em andamento no dia-a-dia do Brasil e do mundo. Aliás, por falar em mundo, a Europa acaba de aprovar um meio calote na dívida da Grécia e corre o boato que querem auxílio do Brasil e da China nesse pacote. A possibilidade de o Brasil entrar nessa leva-nos diretamente àquele desajeitado, mas sempre presente, “faz-me rir”. De fato, faz-me rir ouvir falar sobre o Brasil alocar parte de um bolo de débitos europeus. Em relação a isso é bom lembrar o quanto fomos, tradicionalmente, lesados pelos tais países do chamado primeiro mundo. Seria muito bom se gente do atual governo se desse ao trabalho de recordar as lições de história brasílica sobre os tempos de colonização, império e república. Que tal voltarmos a falar sobre a impagável dívida externa do Brasil, sobre a absurda inflação que nos roeu, durante anos e anos, até dentro dos ossos. Pois, nesse tempo todo de grande atraso, o máximo que nos deram foram empréstimos a juros estipulados por eles. E assim por adiante. Então, agora que estamos a nos reerguer, vamos entrar nessa de ajudar a Europa?

Ah, páginas em branco. Aconselho a quem tiver alguma pela frente a não escrever nada nela. Cuidado com as letras que formam palavras, essas  as sentenças, essas ainda que nos servem para contar coisas sobre as quais o melhor talvez seja silenciar, fingir que não acontecem ou aconteceram. A paz, a verdadeira paz, talvez só exista nas páginas em branco, nas linhas sem letras, palavras e sentenças, nos espaços vazios que até mesmo as imaginações mais ousadas entendem ser melhor, muito melhor, respeitar.



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